16.11.08


Foto: André Souza

Pressão. Fuga. Já percebeu como somos jogados para fora em uma curva? Dizem que é a tal da força centrípeta. Acho que é mais uma tentativa de nomear algo que não se deve/não se pode ser nomeado. Observe: existe a pressão externa atuando sobre os corpos, existe a pressão dentro dos corpos tentando desesperadamente manter tudo em ordem, todos os órgãos em seu devido lugar. Pressão, pressão, pressão. Basta um furo pequeno no dedo e o sangue já se anima, ganha espaço na superfície externa. Basta alguma necessidade, alguma procura histérica por algo para acreditamos nas respostas vindas de longe, vindas de qualquer lugar que não seja o teu, o meu. Questão de tendência, sabe? Há uma tendência estranha de espera. Espera-se o novo, o sol que virá amanhã, mas,em poucos ou quase nenhum momento, o de dentro faz iluminar os olhos. É preciso amar aos outros, é preciso cultivar um jardim, arranjar amigos, viver de forma equilibrada e todas as novidades impostas durante o dia. Dança-se ao som de um relógio apressado e de rumo indefinido, quando há tempo para os passos. Pressa, pressa, pressa. Fuga? Isso. Busque o que não pode te comprometer, o que não se julga por conceitos tão básicos. Vamos, busque o inatingível para calar-se. Entupa todos os seus poros de frustração, suas veias de estresse e chame tudo isso de vida, não é mais fácil? Ninguém vai parar para perguntar como você está realmente mesmo, os diálogos perderam o sentido nos dias atuais. Tudo perdeu o sentido. Aliás, o que é sentido?



Senta, a gente ainda tem muito que conversar. Não passa por essa porta. Me explica como é possível sentir algo se somos inconscientemente programados para não sentir? Sentir dói. Estar submetido à idas e vindas de hormônios é demais para certas pessoas, ter de explorar todas as áreas desconhecidas da tua alma, tentar ser mais do que carne e osso é surreal.Ah, desculpe, esqueci os remédios, as queridas bolinhas intencionalmente feitas para aliviar todas as perguntas sem respostas de uma mente cheia de borboletas. O desequilíbrio assusta. Como ser feliz se, por dentro, não se sabe nem sobre as cores e seus pigmentos? Como querer correr se não sabes nem como é ter os pés no chão?


É, eu também tenho medo do espelho, mas quem não tem?
Ser, mas ser o quê? Basta? Satisfaz?


Pressão, pressão, pressão.

3 comentários:

Leonardo Hoffman disse...

Frenético
ansioso
alucinante
alarmante
frio
inquietante.
Cabeça
pulsante,
questão
congestionante.

Beijo,pequena.

Cabraforte disse...

Rápido.

..passou por aqui e ai?

foi....


te

Tiago Júlio disse...

ainda tem gente feito nós no mundo, ele vale ainda.