27.9.09

é

Na minha casa sempre tem
Lugar pra quem vem de pé, de paz, de bem
Fica porque gosta ou esquece de sair
Onde dorme um mais um também já quer dormir
Aleluia, aleluia
Mesmo quando a barra pesa
Mil estrelas que se chocam
Todo o mundo deita e rola
Todo o mundo, todo o mundo
Sei lá
Família – Lô Borges



Acredito que o que mais dói não é o fato de as expectativas minhas internas sido desvestidas. Dói a razão de todas elas marcharem para o caminho do vazio. Família é uma coisa muito complexa: pessoas diferentes, agregadas por um sobrenome forte e de tradição, costumes e aquela velha rotina obrigatória ( para mim ,deliciosa) de encontrar as tias. Tal diversidade que ao mesmo tempo é mágica e proporciona tardes de risada solta, também proporciona atritos (des)necessários provocados por uma revolta interna ( aquilo de ser útil na sociedade e blá blá). Há um tempo me pergunto o que ela espera da vida. Uma farsa em que o marido chegaria às 7 , pontualmente para o mesmo jantar diário ( é importante não fugir, nem por um segundo, da rotina), deixar carinhos e conversas cotidianas tão necessárias para mas tarde, um outro dia qualquer e ir dormir? As angústias, desejos e até receitas de Ana Maria Braga - ela acorda cedo e sabe, do início ao fim, todas as matérias exibidas, as piadas e se encaixa nas "meninas" que Ana chama no seu irritante "Acorda, menina! -continuam anotadas nos diálogos matinais com as paredes. A ordem familiar foge a qualquer padrão e deixa um gosto amargo de perigo. Ela insiste em uma felicidade puramente fantasiosa e ele, em momentos raros, acredita no ofício de ser marido, sem deixar o estereótipo machista, a necessidade “humana” de sexo, seja dentro ou fora do que chamam casamento. Mas deixemos de lado tal assunto e focamos nos filhos do casal, nos exemplos de lealdade que serão passados, a crença em uma felicidade completamente às avessas. O mundo é problema dos jovens?
Tenho 21 anos, ainda estou muito longe da “sabedoria dos 40” e de qualquer outra, ajo de acordo com o penso e absorvo das minhas experiências. No entanto, são nessas reuniões de família que a observadora de cá, põem-se a firmar laços invisíveis, devido ao barulho, com pessoas que exalam respeito e não resolvem seus problemas aos berros, com dedo em riste e que pouco argumentam, apenas jogam fatos alheios e sem a mínima conexão, pois o importante é a frase final: “comigo você sobe e desce rapidinho”, aquele gostinho que fica na boca e no ego de que se é inabalável, corretíssima e os erros.. ah.. lembrei, o importante é ter a última palavra e fazer as pessoas entenderes que com você o buraco é mais embaixo. É para quem entender mesmo?
( Não estou aqui para julgar, meu texto é bem mais um tratado filosóficoantropológicocomportamental de cabeças cujo sobrenome se perpetua e pesa)
E por ser um dos pilares da nova geração, confesso sentir medo. Medo por gritar ao invés de conversar, medo por declarar “verdades” para pessoas e sair – talvez ela não iria entender que com meu silêncio e meus olhos fixos nos dela- meu maior sentimento de pena. Pena. Pena de uma pessoa extremamente capaz de produzir intelectualmente, mas que se contenta em entrar em lojas,com aquele discursozinho de quem não tem idéia do que fala e se conformar com a realidade do mundo.Aliás, o que realidade? Entender como parcelar no cartão o vertido, mesmo sabendo que ele é um número duaz vezes menos que o seu e te deixa deselegante. Ah, o mundo das fantasias, lembrei. Entendo, mas não me peça para compreender esse desperdício crescente de informação e essa necessidade de manter-se alheia a tudo, repetindo frases feitas das pessoas que lhe mandarem dizer.
Dentre todas as histórias que seguiram pela noite, dentre as várias absurdas, meu órgão interno fiscalizador necessitava de comandos expressivos para fugir dessa mesma linguagem, desse mesmo disperdício.
Portanto, mais do que nunca reforço esse quadrado de amor elaborado por nós quatro. É um puxando a orelha do outro para ser, sentir-se completo, digno. Na busca por algo que engrandeça.
é preciso agradecer. Nosso clã é único e nosso colo é remédio para todos os males e para todas as horas.


KátiaMarceloMaurício.. é tanto amor



*Tô dando um tempo e carregando comigo o que está no corpo cravado e o que voa com a alma.
Um dia, se voltar.
* Os comentários dos posts anteriores serão respondidos, sem falta.

4 comentários:

Jaya disse...

Sabe, eu não sei o que eu li, direito. Eu sei que eu quis chorar. Não sei, não sei. Preciso de você me explicando as vírgulas, e quem sabe assim eu possa estar do teu lado de dentro, me revirando com tuas letras.

Da tua casa, eu recebi aquele amor, que chegou envelopado um dia. Eu guardo.

Vai brilhar, minha Clara. Volta quando for inteira estrela. Te espero.

Thomaz Ribeiro disse...

Viver é entender as complexas relações que exixtem entre nó e os outro e as que existem entre nós mesmos.

borboleta disse...

lendo teu texto tão família eu vejo o quanto seria complexo escrever sobre a minha. Teria que ser vários fragmentos de um inteiro. Um inteiro partido em outros inteiros. Na minha mãe com meu irmão em um contexto, no meu pai e minha irmã em outro, no meu outro irmão em outro e eu no meio disso tudo. será que eu ia conseguir unir todo esse amor/dor em um texto só?

Thaís Nóbrega disse...

que saudade disso tudo aí!