10.3.11

Here comes the sun

Eu tenho pensado em tantas coisas. Na verdade, eu tenho pensado é em você. Mas esse pensado não é uma constante, entenda o verbo de uma forma diferente: eu tenho vontade de pensar em você, eu construo estratégias para que eu possa pensar em você, mas tudo incrivelmente natural. Parece que as tais estratégias são apenas uma maneira de sobreviver à doidice do teu dia a dia e a minha rotina que não é nada constante. Não é obrigação, é a hora do descanso, aquele sorriso inesperado por ver a tua foto entre aqueles tantos e-mails desnecessários. Eu poderia escrever parágrafos e parágrafos sobre essa sensação de ver tua foto no meio de uma página conturbada, cheia de informações. Poderia escrever, metáfora por metáfora, esse sorriso calmo que brota de mim e avança pela tela sem um caminho definido. Eu poderia até te contar, aos risos, a minha teoria mirabolante de perseguição, mas seria muito mais para preencher essa página de letras bonitas, sabe? Eu tenho uma mania doida de preencher páginas em branco, nem sei se te contei.

É até um pouco delicioso escrever sobre você e não somente para você, confesso. Já te disse que, às vezes, eu me apaixono só para ter um texto atrás do outro? Não né? Não tenho te dito muita coisa. O que precisa ganhar voz nem chega a ser audível ou se perde em uma página qualquer. Tem sido assim há um bom tempo. Toda a espontaneidade explode junto comigo, mas não chega na esquina. Enquanto me tremo ou penso que cinco minutos ao teu lado seria a dose de tranquilidade que o meu dia precisa, meu corpo não responde e eu saio feito fugitiva para sei lá onde. Aí a gente fica nessa coisa sem o mínimo sentido, esse tempo que passa apático sobre nós dois. Nós dois. Deixa eu te dizer de novo: faço festa para você. Faço passo para você, serve? Serve deixar aqui tudo o que eu não fui capaz de te dizer? Serve dizer aqui que você é um daqueles sopros que chegam até a gente e arrepiam até a última vértebra?

Imagino a tua cara meio desacreditada ao ler todas essas frases. A parte em que não se sabe ao certo se acredita nessa confusão de sentimentos ou se isso é só mais um texto, palavras amontoadas. Deixa eu te explicar, não se trata de paixão, nem de qualquer coisa que assuste na busca de uma imensidão que a gente nem sabe por onde começa. É estar disponível. É estar afim. É ser afim. É entrar no acaso e amar o transitório, sabe como é? É poder saber que, às 3 da tarde, de um dia infernal, eu vou poder dar uma pausa no mundo, por segundos, e sair a tua procura. No entanto, é sem planos, é fluidez. É uma chuva que acalma. É o teu sorriso bonito. É um afago na alma.

Lembra de Here Comes the Sun, na versão de Nina Simone? Lembra das notas suaves do piano? É mais ou menos aquele sol nascendo que a gente fecha os olhos e imagina que Nina está cantando bem atrás de um nós que se desenha e pede espaço, a cada dia. Little darlin, consegue sentir a pele esquentando? Ainda não? Então fecha mais os olhos. Fecha sem medo, sem imaginar qual será o próximo passo do nosso joguinho de gato e rato. Se desarma por estes instantes em que estou aqui, completamente imersa nestas letras que são tuas. Depois você pode voltar a essa inconstância de sentir que eu juro de pés juntos que nem sei juntar uma letra a outra, a gente se vira a cara e fica tudo certo. Mas, por enquanto, só fecha os olhos e não me fala mais nada.

3 comentários:

Fabi disse...

Adoro falar das pessoas por quem me apaixono rsrs
E o seu primeiro parágrafo parecia eu escrevendo rsrs
Pq vc parou de escrever no outro blog? eu adorei aquele universo falopiano...
beijos e volte sempre tá? beijos

Erick Alves disse...

Não esperava menos de alguém que escreve com a beleza da minha amiga e ídola Clareana. Poderia apenas dizer que amo esse ser divino que tenho como amiga...ainda sim seria pouco. Pessoas como você dão sentido amplo a palavra "beleza".

Rita disse...

lindo, não consigo deixar de me identificar e de sentir como se fosse eu dizendo tudo isso, lindo mesmo.