30.6.08

Alguma coisa está fora da ordem,
fora da nova ordem mundial.


O homem em seu contexto, em uma situação social cria uma realidade, desafia experiências. Gera uma capacidade de interrogar e interpretar fenômenos, emoções e valores. Através de disfunções orgânicas e resposta a estímulos cuja velocidade ultrapassa a casa dos segundos, difere seus estados psíquicos de forma desorganizada e brusca, sem consciência do conjunto de desordens que a mesma produz no organismo. Dá-se início a uma reação adaptada, mudando a direção da energia nervosa liberada e desregulando um sistema de meios que visam um fim convocado para mascarar uma conduta que não se pode ou não se quer assumir. Um equilíbrio de forças é posto em cheque e o fracasso bate à porta. Tensão. Solução brusca e o velho hábito da inferioridade atingindo todas as camadas da consciência, os significados e suas questões funcionais. Chega-se à ordem estrutural: essência. Daí em diante aprende-se o caráter essencial da emoção: ela é sofrida, surpreende e se desenvolve segundo as leis próprias e sem que a espontaneidade modifique. O significado separa-se inteiramente do significante, a consciência abrange toda a noção de mundo e é capaz de transformá-lo. As camadas mais densas da consciência conduzem à fuga, no entanto não é para a proteção: fugimos para aniquilar o desmaio, o fracasso. A fuga é um desmaio representado, revelador do medo, acelerador da tristeza. Suprimimos a obrigação de buscar novos meios, de modificar estruturas, de substituir constituições presentes por indiferenciadas para obedecer a uma ordem, manter uma realidade afetivamente neutra e evitar conflitos. Impaciência.
Pensemos na alegria e em um mundo mágico utilizando o corpo como meio de encantamento. Pensemos em qualidades e fraquezas existenciais: a verdadeira emoção é acompanhada pela crença, se esgota espontaneamente e sem interrupções. Inexiste, no exato momento, uma fronteira entre distúrbios puros e programados, apenas se é um comportamento. Nos resumimos a um corpo que escolhe o estado que lhe convém, conduzido por perturbações de caráter duplo, ora objeto do mundo ora consciência imediata. Tais perturbações direcionam um crescimento ou uma diminuição de vida, depende de quem a interprete, que a descubra no meio de corpos, de coisas e de mundos.
Apenas aprenda: a consciência não é consciência em si mesma, ninguém é alguém se não for pelo mundo de outrem. Somos vítimas de uma armadilha criada por nós mesmos: vive-se em um mundo acreditando nele, um mundo de emoções cujas sínteses individuais mantêm relações entre si e que adquirem qualidades. As relações geram pretensões de um futuro distante e mágico. Mágico, mas não efêmero e ao sabor de nossos humores. Há uma estrutura existencial no mundo que é mágica, que rege as relações extra-psiquícas do homem e da sua sociedade, uma mistura de irracional e espontâneo. Somos apenas “seres-no-mundo”, complexos organizadores de coisa nenhuma, sem ação absoluta e nem mudança radical. Meros acidentes.

Idéias.

* Jean- Paul Sartre [ Esboço para uma teoria das emoções ]

6 comentários:

Maria Fernanda disse...

Falou meio que tudo, sabe?

André Souza disse...

É isso..
Números.
Números.
Números.
Muitas pessoas, muitos destinos, muitas soluções, muitas explicações, acasos, amores, contagem regressiva ao regresso, ao nada. Ninguém sabe pra onde vai, nem quando vai, nem os porquês. Resta apenas ser. ou não...
Eu sou. Você também é.
Só nos resta (nos)descobrirmos..
Clara..sempre, clara.
Beijo beibe!

Daah Oliveira disse...

Deve ter tanta coisa fora de ordem mesmo!

Aline Romero disse...

E são os "seres no mundo" os culpados da desordem, e os unicos portadores da possivel mudança.
Um abraço!

Mary West disse...

Sem sombra de dúvidas estamos todos mesmo interligados, seja por costumes ou atos impostos da sociedade. Nenhum homem é uma ilha, isso é fato.

DE-PROPOSITO disse...

Olá
Que a felicidade ande por aí.
Manuel