21.11.08

Felicidade, às 4 da tarde.

Na Praça de Casa Forte é comum encontrar as mais distintas figuras da sociedade. No pequeno lago repleto por vitórias-régias, meninos, de cueca, pulam e jogam bola, felizes. Não há limites, nem pudor...tudo é possível. Água pouco límpida deixa de ser empecilho e vira vida, espaço para braçadas e pernadas livres de qualquer julgamento, exceto o meu. Não sou a única a admirar a felicidade alheia, há, em um banco próximo, três pessoas conversando, talvez, para elas, seja cotidiana a “piscina” improvisada, talvez os problemas tomem conta demais das suas cabeças e seja impossível enxergar algo/alguém. Eu, entre carros de marca, prédios de luxo e uma paz tipicamente bucólica, me prendia a pessoas desconhecidas, alheias a todos os problemas do dia, esperando da vida apenas imaginação para o próximo pulo.
Engraçado é o compromisso dos pequenos, enquanto os outros se esticam na lagoa, um está firme e forte enchendo os baldes d´agua para lavar um futuro carro do ano. Um jato para o balde, um para sua própria cabeça e mais um para o que grita: “ ôni, thú, tri, gôú”. Felicidade, amigos, em qualquer língua. Pessoas que deixam as roupas de lado e mergulham nas águas de vários tipos de cores, entre lixos e peixes. Realidades diferentes, perspectivas diversas e um laço invisível que me unia àqueles moleques: uma liberdade de certezas, credos, obstáculos. Ser exatamente o que o instante pede, agir de acordo com as vísceras.
O sol está bonito e as braçadas meio tortas me trazem esperança.
Eles brincavam, viviam.

Eu? Sorriso.

7 comentários:

Juliana.Campos disse...

a simplicidade de um sorriso que guarda muito mais que pura alegria, ou talvez não!

Thaís Nóbrega disse...

ainda tenho vontade de te matar por não ter tirado foto disso tudo.

grrr

Tiago Júlio disse...

Ih, sei bem como são essas coisas. Um dia desses estava sentado na escadaria do teatro observando as pessoas que passavam pela praça... Felizmente eu tinha câmera digital comigo. :)

André Souza disse...

Câmera alguma consegue captar esse momento, tu sabe disso melhor que eu.
A única coisa que registra isso tudo e mantém o sonho vivo é o olhar.
E é algo que dura muito mais, não é como um papel que se perde ou que podem roubar de você, fica guardado no peito, então você sempre carrega essa coisa linda que nos faz continuar sonhando: a felicidade existe.

Salve Jorge disse...

Felicidade
Num fim de tarde
Se há um peito que arde
Brinca a esperança
Faz entrar na dança
Ante tanta magnificidade
Tudo que preciso
È só do sorriso mesmo...

André Souza disse...

tá lá, é todo nosso.

Leonardo Hoffman disse...

Um dia de céu aberto,
de olho atento,
de peito pulsando por coisa boa.

Ficou lindo demais o texto.
Beijo