6.11.08

A insustentável leveza do ser

Ontem me dissesses pra não confiar nos poetas, eu retruquei: só confio nos poetas. Essa frase saiu, pela primeira vez da minha boca, naquele momento. Talvez eu já pensasse assim há muito tempo, a construção gramatical veio com bons livros lidos e os tais 20 anos. Fato é essa coisa enlaçante com as letras, a magia incompreensível de um texto. Parece que todas as paredes que me cercam são feitas de poesia, são inspirações para um novo contexto, processo filosófico. Eu fui levada ao mundo das letras, através de vários momentos me vi entre uma folha e um lápis, prestes a entrar em ebulição, cair em um precipício, virar poeira de estrela. E nesse caminho, aprendi a me traduzir e me retransmitir em fonemas. Versos livres. Sensibilidades sem governo. E como dizia Caio F. “Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo”. Caio é um poeta capaz de invadir a minha alma e transportá-la para qualquer lugar que quiser. Minha entrega é apenas o fruto de mundos criados, frases fortes e intensidade transbordante. Como não confiar em alguém que se deixa fluir, sem qualquer receio, em um papel em branco? No fim, tudo vira poesia. A falta de poesia faz parte de uma poesia, o caos é elemento fundamental (minha estrela, no ombro, é a luz cintilante vinda de um caos nietzschiniano), os erros e acertos duelam no que mais é poesia: a vida. Você, eu e todas as pessoas que aderiram a esse grito silencioso que insiste em sair somos poetas bêbados de esperança em algo não nomeado, cambaleantes nessa corda bamba.
Quem sabe todos os meus argumentos sejam contraditórios e amanhã meu discurso mude, quem sabe? Mas enquanto acredito não me contradizer, meu combustível são as letras e a infinidade de poesias cabíveis em seu alfabeto. Movimento, poesia concretista. Dali. Poetas.
Nós estruturamos a nossa poesia em olhares e diálogos silenciosos. Aos poucos, fomos tecendo versos: linhas ora tuas, ora minhas se misturaram, criaram asas. Então, poeta, cabe a nós cantarolarmos, pandeirarmos esse samba.



* Apenas para tentar entender : até quando dizer eu te amo?
Por favor, me responda.

17 comentários:

Du Santana disse...

Hoje acredito que não importa o que um poeta escreva, se estivermos atentos será tudo o que está dentro de nós.


P.S.: até sempre deve-se dizer eu te amo!

té mais!

On The Rocks disse...

prá quê combustível melhor?

linkei seu blog lá no on the rocks.

bj

André Souza disse...

Clarinha, eu to contigo e não abro mão, tu sabe disso. Nosso combustível é o próprio ar que a gente respira todos os dias, não o ar comum de todos, o ar que a gente respira junto, cheio de poesia, de vida e de imaginações sobre tudo que foi, que deixou de ser e que ainda pode ser.
Quanto às horas certas, não pensa nisso não, tu não é assim, a única hora certa é a hora que tem de ser, e deixa de ser a hora certa quando não tem de ser, é só sentir..

Então sinta:
3 palavras e 7 letras com muita saudade.

Beijo! :*

Polly disse...

...ate quando vc amar!
poetiza de palavras nobres quero adotar vc, para narrar para mim essas palvras belas!
venho aqui e me transporto para a parte boa que eu pensei que nao tinha, que nao existia.

Juliana.Campos disse...

eu acredito nos poetas!

P.s[1]: dizer eu te amo até quando ainda houver sinceridade no olhar!

P.s [2]: "a insustentável leveza do ser", muito bom livro, combinou pefeitatmente pra o título do post!

Jônatas Santos disse...

Talvez o amor que a gente pensa sentir, que está guardado no mais profundo do ser ou transbordando por nossa boca em formas de palavras seja todo o combustível que se precisa pra seguir em frente. Palavras sempre podem expressar algo, poetas sempre dirão algo que a gente possa estar sentindo, mas nada como o lindo e tradicional "3 palavras e 7 letras" citadas a cima (desde que nao seja pronunciadas como um simples "bom dia") para fazer do presente o mais perfeito que valherá apena ser lembrado. :)

adorei aqui
grande beijo

sof - disse...

ameii seu blog.

*:

Filipe Garcia disse...

Oi Clara,

gostei da poesia-filosófica. Num é que a poesia faz a gente pensar num monte de coisa, ao mesmo tempo? É doido.

eu acredito em poeta, sim. Acredito também no amor que eles pregam. Até quando dizer?! Sei não, quem é que sabe? Amor, muitas vezes, nem é dito e fica lá guardado. Cada um tem seu jeito.

Beijo!

Sunflower disse...

Não confio nos poetas.

Como assim, eu não mando nos meus sentimentos qdo eles estão por perto?

beijas

André Souza disse...

só acredito nos poetas.

disse...

Poesia, prosa, texto acadêmico, uma imagem. O que importa é que somos linguagem, comunicação.

Bjo

André Souza disse...

Tem que sangrar abundantemente.

Tiago Júlio disse...

Posso dizer dessa vez só: "disseste o que eu gostaria de dizer"?

Salve Jorge disse...

Todo poeta
Tem lá sua meta
Mesmo sendo a vida tão incerta
Tanto sapato que aperta
Ele faz da seta
Cítara
E não para
Na reta
Entorta
Aborta
Recorta
Até que aorta
Como Odara
Dance
Então não canse
Nem o anseio amanse
Avance
Mas atenta às nuances
Que sois rara
E neste saara, então..
Um oásis...

Duda Martins disse...

Dizer Eu Te Amo pra sempre. Até o pra sempre acabar....

E amostrada não. Os paparazzis que não me deixam em paz!hehehe

Lavrador disse...

Ontem me dissesses pra não confiar nos poetas, eu retruquei

ou melhor

Ontem me disseste para não confiar nos poetas, eu retorqui

desculpe o reparo...

um abraço!

Anônimo disse...

hahahaha!