12.3.09

Agora a pouco estava me lembrando das tuas idéias revolucionárias, fiquei, quieta comigo, rindo por uns bons minutos -- aquele sorriso que vem de dentro, das entranhas. Lembrei também das tuas caretas, das manias, das poesias. Cheiro, corpo, medo e flor misturados em sensações, parecia filme. Mas, segundos depois de tamanha nostalgia, me obriguei severamente a voltar aos livros, ao estresse das provas que se aproximam. Confesso que foi bastante complicado cessar meia dúzia de batidas descompassadas do meu coração ao reviver o sol, nascendo naquele dia. Recordo, como se fosse hoje, a forma louca e rápida que arrancasses de mim a raiva, a decepção com um sorriso e aquela frase mal decorada de Clarice. Havias plantado em mim estrelas suficientes para deixar qualquer céu iluminado, e mesmo quando chovia e as estrelas se apagavam, as flores abriam-se no jardim cultivado desde o dia que nos conhecemos. Sempre arranjávamos um meio de condicionar as coisas para um final feliz. Engraçado como até eu acreditava nisso. Tudo tão bonito, não era? Parecíamos texto bem elaborado, com diversas metáforas bem feitas. Ah, se tivesses noção do quanto já me vasculhei atrás de respostas, formas de alterar o enredo, a trama para que, ao final do capítulo, apenas restasse a minha felicidade aliada a tua. Nada de um nós denso e cheio de expectativas, apenas uma felicidade conjugada, compartilhada. No entanto, o que salta aos meus olhos é um desvio de sentido, uma novela faltando capítulo, exatamente aquilo que machuca e dilacera. Por tudo, por nada ou por qualquer coisa que falte sentido e amor, prefiro deixar as águas rolarem e me despejar nas lembranças. Chega dessa ida e vinda quase insana, que apenas deixa um gosto azedo de agonia. Para mim, para você e até para esse nós que hoje já não nos une mais, o meu suspiro de saudade.
E chega.

Mas vê se você chega logo.

6 comentários:

Fleur Anonyme disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Cara, essa pessoa que insiste em escrever tanto e sempre nos seus comentários é extremamente chata e repetitiva.

Criatura com nome francês, arrogante por natureza e raso demais: eu não sei se você tem a decência de reler essas milhares de linhas que você escreve, ou se você tenta repetir para elaborar o seu pensamento. Mas imagino que não importe a dona deste blog se "nós" é fantasia, realidade ou qualquer coisa no meio disso. E que sempre ela se refira a você. Querido, fantasia por fantasia, somos capazes de criar pilhas delas! E não só com pavões franceses feito você!
Você também insiste tanto em dizer para Clara para que ela se apaixone pela escrita, que você não experimentou a morte das palavras. Mas és tão vazio que precisa costurar textos e textos que sempre dizem a mesma coisa o tempo todo.
Que precisas de platéia, nós bem entendemos. Mas mude de cor, de repertório, de assunto. Experimente metáforas que não levem a nada, só pela leveza que elas trazem. Quem sabe assim você não consegue se sentir maior sem ter que se afirmar através de palavras afiadas e textos elaborados, esperneando o que só se faz óbvio para você.
Me parece obsessão, mágoa reprimida e negada essa tua mania besta de escrever sempre e tanto do mesmo. Vira o disco, troca as cores, gira a roleta, tira a bunda da cadeira e vai dar uma voltinha! Quem sabe você não começa a construir algo por você. Garanto que você vai ganhar muito mais!Vá você viver de realidade se a sua não é feita de fantasia!
Aliás, o que vc estava fazendo aqui, numa sexta a noite, que não estava vivendo?

Gabriela Magnani disse...

Parabéns. Adoro seus textos.

Narradora disse...

As escolhas das palavras nos textos são sempre muito boas. Agora a novidade é essa controvérsia nos comentários...
Gosto do uso da palavra, mas não podemos esquecer que ela é só instrumento, imporante, mas instrumento.
Bjs

mayara disse...

acho que eu nunca tinha lido algo assim...trouxe lembras de um tempo que foi muito bom


=D


bjus menina!

karla disse...

lindo texto!!