25.2.10

Algumas coisas explodem: Semente de Vulcão

Semente de Vulcão - esq. pra direita: Ruan, João, Marcelo, Léo, Anderson e Rostan.


Óa, deixa eu te contar como começou: aquele menino, o que canta, sempre teve o dom pra escrever coisa bonita e começou a juntar as doidices com aquele menino que toca craviola. Os dois falavam de bois, mas imaginando a cena. Era como fazer filme, sabe? Filmar a ideia que ainda mora na cabeça e a ver se transformando em cor, acorde, grito. Aí chegou aquele menino lá que toca baixo, o que toca violão que entrou quase agora mais os dois lá na percussão e a folia tava feita. E tem aquela coisa, né? A vontade de cantar, a influência daqueles caras de outros tempos, a poesia presa na garganta e o resultado foi o que explode do olho de um furacão. É circo. Pulsa. É aquela coisa.

Pois bem, de um fazer, refazer e disfarçar o compasso, eles viram além. Viram a poesia, à vontade. Foi uma semente de vulcão. Foi um vício. Cinco sonhadores contam uma história que até chão seco um dia dá semente, e deu. Brotou tão bonita que ilumina aquele menino que canta, comé mermo o nome dele? Ah, João.

João entendeu que em cima do palco ele pode ser qualquer coisa que vibre, pode caber em cada nota que os outros meninos toquem e dançar com ela, feito bailarina. Livre, brilhante e pintado. Embriagado de poesia, João continua, do frevo ao xote de Boi Encantado, sendo uma luz que arrasta os olhos dos telespectadores boquiabertos para um lugar onde é permitido ser, onde a paixão refletida nas cordas vocais do menino é motivo suficiente para levantar os pés do chão. Ele nasceu para a arte e essa coisa aí, assim mermo.

E aquele do baixo? Ao tocar, parece que as notas não saem do baixo não, saem dele, lá de dentro. Ruan entra quietinho, no palco, e daqui a pouco, dá uns gritos tão fortes que toda a plateia decora e repete depois, mais forte parece. É massa. Como é que ele diz mesmo? Verve. É a verve- aquelas palavras difíceis que saem da boca dele na hora em que não tem nada a ver. Vai se contorcendo, sorrindo e mostra que é muito bom. É um doido varrido trancado no hospício gritando amor.

Oxe e o que chegou quase agora? Já se lambuzou de tinta e tascou uma semente na testa. As notas guiaram Marcelo e saem cheias de verdade, cheias de gritos longos e fortes. Até o boi da cara preta se rendeu a loucura dele e daquele violão que voa, em cima do palco. Aliás, Marcelo, ali, voa com asas feitas energia, deixa aquela cara séria pra lá e abre a porta do infinito na marra. E entra mesmo na dança, visse? Faz até pãnãnãnãn. Parece que ele sempre estava por ali, na banda, na bolha harmônica que protege aqueles meninos.

Léo, aquele da craviola, transcende, sabia? Ele vive aquilo tudo, menino. Olha pra cima, fecha os olhos e se entrega de um jeito que dá gosto de ver. Sentadinho ali dá pra perceber que ele, na verdade, tá dançando pelo palco inteiro. Ele grita, faz solo, ri e mostra que aquilo que ele escreve é um aquário mágico.

E os da percussão? É assim: Rostan, no começo, brigava que só pra se pintar. Tinha que ser uma coisa discreta, um pontinho ali e nada de brilho. No fundo, era eu que não entendia que ele sempre esteve certo. No palco –e também fora dele- Rostan é um sorriso. Ele brilha por si só, com ou sem maquiagem doida. Ele arranja força e ritmo pra todas as batidas compassadas da Semente e a alegria de estar ali fica de brinde para quem assiste ao show. Anderson toca sentindo a música. Parece brincar com Rostan quando trocam de lugar, de instrumento. O palco é parque de diversão, conversa entre amigos para aqueles dois. Eles tocam e sorriem com os olhos, completamente no ritmo, enquanto, nós, a plateia, ficamos abobalhados com tal harmonia.

Sem perceber, esses meninos foram dando mais sentindo ao significado de Semente de Vulcão. Juntos, explodem e nos deixam em faíscas. Eles se avexam e protestam, falam versos ariscos em noites de lua cheia e João nos diz que a chuva leva a tristeza e deixa o passado pra quem não sai de lá. É uma revolução para cada ser que descobriu ter, dentro de si, uma sementinha capaz de alargar os sonhos.

Que todas as mudas plantadas floresçam e que nos dê a sombra da espécie rara de vocês.


Para saber mais sobre eles, aqui ó.

6 comentários:

Nara disse...

Você escreve muito bonito menina clara!

Narradora disse...

O texto ficou lindo e os seus amigos são muito legais.

Amanda disse...

Eu assino embaixo =)

borboleta disse...

lembrei de um poema meu que já faz tanto tempo mas vale!

Semente

a semente tão prenhe, carregada
no jardim do meu peito ocupa o centro
semeada lá dentro do de dentro
dentro do lá de dentro semeada
é palavra escondida e bem guardada
é palavra guardada, escondida
feito a noite escura duma vida
esperando chegar a sua aurora-
germinar pé de amor, pé de amora
dessa coisa tão doida e tão doída.

e eu nem sabia que sabia decorado! :}

Thaís Nóbrega disse...

coisa linda. esse texto descreve tudo.

Flavih Jones disse...

Lindo post.
*.*

Beijos.