4.5.08

Hoje é uma tarde normal como todas as outras, solzinho esperto, suposições para uma noite longa e divertida – quem sabe até uma daquelas em que você vai sair da “seca”? . Tudo soa e se comporta normalmente. Estranho, no mínimo, visto que nada na sua vida se comporta ou soa normalmente. Aí, em um ato pensado (pior que ele é pensado), corres para o lugarzinho onde em letras garrafais lê-se “VOU ME MACHUCAR”, entras, rasga a cortina, cria intimidade com as coisas que mais te atormentam no mundo e pronto, virou festa!

Em algumas horas você já está se afundando em lembranças cujo enterro já deveria ter sido realizado, perguntas que ficaram sem resposta em alguma esquina indevidamente passada. Concluindo: a tarde, outrora ensolarada, levou uma rasteira da nuvenzinha metida à besta. Ai ,como você é idiota! Foi mexer lá pra quê? Tinha que se embriagar com a tal da desconfiança? Tinha que dar o telefone para minhoquinhas incessantes que vão colocar teorias mirabolantes sobre aqueeele dia na sua cabecinha sem juízo algum? E as palavras de significado mil? A gastrite já está gritando aqui, é melhor parar logo. Se tudo está resolvido, qual a finalidade em desresolver? Se já sabe o fim de cór, porque entrar? Sadomasoquismo, definitivamente.

Buscar consolo naquelas frases ridículas: “isso prova que estou viva”? Fazer versos clichês sobre a intensidade que gira em torno das entrelinhas aonde sabe-se lá o sentido? Fingir ser superior a tudo e a todos? Patético. Você é patética.
Medite. Isso, medite. Tente se lembrar das aulas mal idas de relaxamento corporal (qual era mesmo a cor pra pensar?), respire fundo.

Solução: aumentar o ego.

(contexto quase-histórico: você é feia, mal amada e se sente uma idiota).

Liga para aquele velho paquerinha que te promete casa, comida e roupa lavada. Depois de uma hora falando sobre coisas desinteressantes e vários elogios (e uma boa dose de qualquer coisa alcoólica antes do terceiro “você é linda demais” consecutivo) você já está pronta para esquecer o traste, as dúvidas e fechar a porta na cara de todas as lembranças importunas que te rondam - até a próxima visita. Eu sei que é mentira, mas posso acreditar? Posso me enganar? Obrigada.

O assunto, os elogios e a sua paciência acabam. Sair com alguém que enche a tua bola, nas atuais circunstâncias, é só mais um passo para o precipício, já que você também não encontra a resposta de “porque eu não estou com ele?”, ou seja, mais uma ferida exposta.
[ O mundo seria mais colorido se inexistisse a fase do pós-encontro, o terrível e temido “opa” com o travesseiro, a hora em que tudo se vai – maquiagem, ressaca, dor no pé- menos a revolução infinita no seu peito. ]
Você é patética, só deixando mais claro.

Esquece e vai para a cama, teu problema é sono, a falta dele.Vou virar Bela Adormecida à espera do príncipe encantado. Meu Deus, você é desesperadamente patética. Bela Adormecida é uma idiota que deixou a vida passar pela janela por um principezinho sem sexo definido, e daqui a uns minutos você é outra que está perdendo o seu dia em função das mazelas do passado.

Sacode a poeira e coloca o salto mais alto do guarda-roupa, levanta esse nariz e sai. Chora, mas com pose e estilo. Amanhã você volta lá onde não deve e se machuca mais um pouquinho.

17 comentários:

Camilinha disse...

O texto é bem legal. Sobre passados, lembranças, e o que fazer com elas, afinal...

hahaha... o final foi meio masoquista, né?!

Fato é: o objetivo é ser feliz!

e tenho dito!

beijos daqui e boa semana...

Leila Saads disse...

Nessas situações eu sempre sigo o protocolo: cinema-cachoeira-teatro-livro-música-dança-amigos.
Ocupar a cabeça, sempre.

:*

Bianca Rieth disse...

As lembranças são coisas presentes, muitas vezes não sabemos o que fazer com elas, ora queremos deixá-las de lado, outrora queremos de volta...

beijos!

Juliana Caribé disse...

Acho importante vivermos a nossa tristeza plena e intensamente. Não adianta esconder o passado em caixinhas, em algum lugar secreto (?) da casa, e fingir que ele não existe. Se ele doeu, é preciso deixar doer e deixar passar. Não podemos simplesmente desrespeitar nossos sentimentos e nossa história. Mas, depois que já passou, ficar remoendo e revivendo o passado, aí, sim, concordo: é masoquismo.

Beijos.

Anna K. Lacerda disse...

No fundo a gente insiste em espantar a aparente tranquilidade. "Cadê a catarse?" grita o coração! A cabeça pensa, pensa, pensa numa resposta. Nessa hora a gente se arranha, mas depois de dormir tudo finge voltar para o lugar.

Beijos pensativos!

My Life Whitout Me; disse...

Lembranças muitas vezes machucam né?
Bem, eu as deixo guardadinhas no vão das lembranças... e só as "cutuco" quando necessário. se não tiver necessidade, deixo elas quetinhas. Afinal, é como cutucar onça com vara curta.

é isso aí clara ^^
:***!

Juliana.Campos disse...

Inexplicável (ou seria explixcável?) como meu Lado Avesso muitas vezes se encontra aqui nos seus textos?!
Lembranças que vem e vão como a maré, ora na bonança ora na ressaca ;)

Gabriele Fidalgo disse...

[O mundo seria mais colorido se inexistisse a fase do pós-encontro, o terrível e temido “opa” com o travesseiro, a hora em que tudo se vai – maquiagem, ressaca, dor no pé- menos a revolução infinita no seu peito. ]

Peerfeito, Clara.

Aposto que muitas se identificaram com esse seu texto maravilhoso e transbordante.

Beijos :]

kelen disse...
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Luciana R. disse...

Muito bacana seu texto... Vamos nos desvencilhar do passado, dar um tapa na pantera, mudar de corte,roupas e perfume, e antes de tudo mudar internamente, fazer aquela velha e boa faxina de sempre no ego... como diria Belchior:"No presente a mente, o corpo é diferente,
E o passado é uma roupa que não nos serve mais..."

Muito bacana seu blog... parabéns...

ps* poste no ultimo texto do meu blog, escrito por luciana R. ou seja, eu... adorarei seu comentario por lá... bacio...http://banzooo.blogspot.com

Sunflower disse...

lá vai mais clichès de consolo/conselho, já me diverti com os errados enquanto o certo não chegava, percebi que se continuasse, poderia me distrair com errados e nem notar que o certo passou.

o melhor é ficar sozinha, mas nunca vazia, cheia de si. e para aumentar ego, existem amigas.

Ana Cláudia Zumpano disse...
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Ana Cláudia Zumpano disse...

quantas vezes já me vi assim... querendo sofrer, presa nesse sentimento...
bjos ;*

Leandro Luz disse...

nossa, belo texto, muito bom o blog!

Virei fã!

Beijos

Leandro Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flávia disse...

Esse tempero masoquista tá meio que no DNA do ser humano. Principalmente do ser humano XX - a gente sabe que não deve, mas vai lá e faz.

Deveria inventar uma fórmula pra dar um up grade na razão cada vez que isso acontecesse, né?

Lindo demais teu blog.

Beijo!

Mari disse...

"Aí, em um ato pensado (pior que ele é pensado), corres para o lugarzinho onde em letras garrafais lê-se “VOU ME MACHUCAR”, entras, rasga a cortina, cria intimidade com as coisas que mais te atormentam no mundo e pronto, virou festa!"

amei! =)