4.11.09

O vento de Recife carrega saudade. E vai passando pela gente como a gente vai passando pelos prédios antigos, abandonados e cheios de histórias de saudade. O vento, naquele dia, me carregou para dentro da vida.
A Avenida Boa Viagem, em alta velocidade, pintou o final tão esperado da nossa tela. Sim, faltava algo, guardei o pincel da esperança sem muita tinta, só com resquícios de um abraço-ninho, de um companheirismo outrora infalível e tons de vermelho – só para garantir nossa paixão por esse amor que explodia em madrugadas etílicas. Durante o percurso, fui me lembrando das minhas lágrimas antecipadas quando partisses, o desespero ganhando morada dentro do peito, a sensação estranha de perda, de solidão. Foram lágrimas destinadas a tua presença sempre ausente, a tua loucura sem sentido, sem cheiro, as palavras que nem ousasses dizer. Foram lágrimas de verdade, a verdade que viria a tona nas próximas chegadas do teu voo. Corriam pelo meu rosto maquiado, os segredos, os medos, as ... você. Inteiro. Mas, como disse, o vento de Recife carrega a saudade congelada dos nossos dias de outono. A cada quilômetro rodado, em silêncio, eu ia me transbordando de alegria, no banco de trás, ia me contorcendo de felicidade por estar perto de você. A simples sensação de estar perto de você me fazia chorar lágrimas doces de felicidade.
É porque doía ver a tua essência ir embora pelos teus dedos, pelos teus gritos desnecessários e pela tua forma estúpida de agir. Contradizia com tudo aquilo que plantamos na infância, além das papoulas no jardim de voinha e dos bolinhos de areia no jardim da rua do lado. A gente cresceu sendo regado por amor, lembra? Me deu medo de que, um dia, você não lembrasse.
Foram-se as declarações de amor rasgadas, muito amor pertence a uma época diferente, infância, adolescência, não sei. Adultos, ainda distantes, você ao redor já é motivo de abraço. E no abraço, você sabe, a gente acaba se perdendo, para no final, sorrir.
Para você, meu coração está aberto. Mesmo que o seu não seja o mesmo.


20.07.2009
luminosa, por dentro.

6 comentários:

Imprensa disse...

familiar?
entendi bem?

ficou bonito. devia mandar, visse?

Imprensa disse...

aí em cima sou eu, thaís. haha

Byers disse...

Olá Flor!

Olha eu voltando ...

Incrivel, como nas lembranças, as figuras, os momentos, tudo isso se junta, se transforma e volta a ser o que é, talvez o vento não esteja levando ou trazendo, apenas mostrando/ocultando.

=* bjos tem muito talento viu.

disse...

nenhum coração permanece o mesmo...

bjo

Carla disse...

texto de prima pra primo. assim entendo!

e, infelizmente nos próximos dias, Recife vai perder um pedaço do seu saudosismo! é que as lâmpadas dos postes do recife são de uma cor que remete a nostalgia... e vão ser todas trocadas pq estão gastando muita energia. Aproveita essas lampadas amarelas enquanto elas ainda existirem...

carlinha ai

Redator de Merda disse...

Não há vez que por aqui eu adentre que não me emocione, e eu não me torne repetitivo. Magnífico de novo, ler palavras que sempre me parecem transbordar de um coração embebido em sentimentos. Intensos sempre.
As ruas de Recife que não conheço, agora, se fecho os olhos me transfiro para dentro de um mesmo carro, e me contagiar de suas experências.
Beijos menina de luz!